terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Waldick Soriano

Falar de Waldick Soriano é falar sobre alguém que realizou um sonho: o de se fazer ouvir ! Ouvir sobre seus desamores, suas angústias e sofrimentos. Fazer os outros perceberem que não é vergonha nenhuma sofrer por amor. Não é vergonha saber que foi traído e que mesmo assim pode-se dar a volta por cima e refazer o coração.
Waldick nasceu Eurípedes, nome de teatrólogo grego, nome que já antevia que sua vida seria digna de uma grande obra teatral, em 13 de maio de 1933 no pequeno distrito de Brejinho das Ametistas, na cidade de Caetité, distante cerca de 645 quilometros de Salvador, no estado da Bahia. Waldick conta que as melhores recordações que tem na vida foram na infância, a não ser pelo fato da separação dos pais, quando ainda tinha 5 anos e mais tarde, aos 10 quando soube da morte de sua mãe, que havia se mudado para São Paulo. O pai, Manuel Soriano, trabalhava na fazenda, mas também com pedras preciosas.
Estudou pouco, fez apenas o primário, mas afirmava que o "primário, daquela época, valia como um colegial e que tudo o que aprendeu, foi no mundo, pois o mundo ensina bastante e o meio em que vivia também".
Foi garimpeiro, caminhoneiro e engraxate antes de ser cantor. Em uma entrevista dada em 2007, no seu apartamento em Fortaleza (CE), respondeu sobre qual teria sido seu emprego mais perigoso antes da carreira musical:
O pior foi o garimpo, é muito perigoso, os garimpos que a gente trabalhava eram no meio do deserto, a uns 400 km da minha cidade. Um deserto, que onça urrava na tua cara. É, mas naquele tempo eu era o maior "tarzã", não tinha medo de nada, não. Eu passei dois anos num garimpo, dois anos sem ver uma mulher. A salvação foi que meu pai mandou uma mula pra lá. Eu trabalhava com uns 20 homens em uns buracos de 20, 30 metros. Muitos morreram já. Garimpo mata muita gente. A gente morava num ranchinho beira-chão, dormia em cama de vara. A gente mesmo que fazia a comida. A comida chamava-se "pedregulho": colocávamos o feijão, o arroz, o toicinho, tudo o que tivesse no caldeirão e misturávamos.
Nesse período já queria ser cantor, tocava acordeon e começou a traçar outros planos para sua vida. De uma hora pra outra, pediu a benção do pai e disse que tentaria a vida em outro lugar e que mesmo se não desse certo, não voltaria mais. Sorte do Brasil, ele não ter voltado...
Suas roupas pretas foram oriundas de um filme que assistiu de Durango Kid. Sempre gostou muito de filmes de faroeste e depois de assistir ao filme, foi na loja de tecidos do pai e mandou fazer a roupa. Comprou um óculos Ray-Ban vagabundo, ao qual substituiu ao lenço preto que o personagem usava  e um cavalo igualzinho. Foi no meio da praça da cidade vestido assim, achando que iria arrasar e vários estudantes o vaiaram. Waldick meteu o cavalo em cima deles e a partir desse dia passou a usar apenas roupas pretas.
Na época de sua aparição era comparado a Bienvenido Granda, Nelson Gonçalves, Anisio Silva ou Vicente Celestino.
Waldick era uma figura ímpar, no auge da carreira foi chamado para participar do programa Quem tem medo da Verdade, na Tv Record, que recebeu grandes nomes entre 1968 e 1971. Nesse programa estavam Agnaldo Rayol, Angela Maria e um Padre, que faziam perguntas sobre a vida do "réu". Waldick, que andava armado nessa época, quando interpelado pelo Padre que dizia o conhecer de Pernambuco e sabia que já havia deflorado muita menina lá, não pensou duas vezes: meteu a mão no revolver e atirou para o alto. As luzes se apagaram e quando acenderam novamente, ele já não estava mais lá. Depois, ainda foi convidado a voltar ao programa e dessa vez, ninguém tinha nada pra falar dele!
Conheceu a primeira mulher, Maria José, em Belém (PA), no seu primeiro show na cidade. Não se importou com o fato dela ser prostituta e a levou para morar em São Paulo. Sofreu muito quando ela morreu de leucemia dois meses após o casamento.  Depois disso teve inúmeras mulheres, tendo mais de 14 casamentos.
Gravou mais de 500 músicas. Seu primeiro sucesso, foi o bolero Quem és tu, de sua autoria, que foi gravado em um disco em 78 rpm, lançado pela Chantecler em 1961, onde gravou grande parte dos seus discos, gravou ainda pela Copacabana, Continental e RCA.
Depois vieram Torturas de Amor e Fujo de Ti, música que ganhou um prêmio por ser a mais tocada nos Estados Unidos, e muitas, muitas outras canções que fazem parte do cancionário popular.
Primeiro disco pela Chantecler - 1961
 Cantou nas principais boates do Brasil, entre elas a famosa Flag em Copacabana, onde se apresentaram Dick Farney e Nara Leão entre outros grandes artistas. Foi lá que Nara gravou o LP Palco, Corpo e Alma. Ao vivo. Boate Flag, em 1976. A casa foi demolida no fim dos anos 80 e hoje o local abriga o Hotel Rio Roiss.
Durante a ditadura militar no Brasil, teve muitas músicas censuradas, como por exemplo, Fujo de ti, onde nem mesmo ele soube dizer o motivo da retaliação.
O historiador e jornalista Paulo Cesar de Araujo, escreveu pela Record em 2005: “Eu não sou cachorro, não - Música popular cafona e ditadura militar”, tendo em seu titulo uma referência a sua música de maior sucesso. Neste livro o autor traz um ensaio da história cultural brasileira. Ali você percebe que Waldick e muitos outros artistas ficaram “demonizados” por aderirem a cultura oficial brasileira durante a ditadura militar. Waldick, segundo ele, é um dos exemplos, tendo sua música "Tortura de Amor" censurada em 1974, quando foi por ele reeditada. Apesar de ser uma composição de 1962, o regime não tolerava que se falasse a palavra "tortura"...
Participou dos filmes "Paixão de um homem", título também de uma de suas músicas, dirigido por Egídio Eccio, e "O poderoso garanhão" (parodiando o filme americano "O poderoso chefão"), dirigido por Antônio B. Thomé, em 1972 e 1973 respectivamente. Nesse período sua presença foi marcante em programas como os do Chacrinha e  de Sílvio Santos, entre outros, de alto índice de audiência popular.  
Se mudou para Fortaleza (CE) no final dos anos 1990, passando a viver de pequenos shows pelo Nordeste. Em agosto de 2007, aos 74 anos, somando 84 discos gravados e mais de 500 composições, muitas conhecidas nacionalmente, a atriz e diretora Patrícia Pillar, seduzida pela história que tornou o artista uma lenda viva da consagração popular, lançou o CD e DVD "Waldick Soriano ao Vivo", dos quais foi a idealizadora, assinando também a direção e a produção que também contou com Mariza Leão. O registro é uma gravação de dois shows realizados por ele em Fortaleza, em novembro de 2006, no Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro, o antigo Cine São Luiz, acompanhado do maestro Jota Moraes, com direção musical e produção de Patrícia Pillar e José Milton, um dos mais requisitados produtores do país. A seleção do repertório e o roteiro do disco, feita por Patrícia e pelo compositor Fausto Nilo, sintetiza a carreira do cantor, indo da canção que dá título ao primeiro LP de Waldick, em 1960 e passando por clássicos como "Tortura de amor"; "Nostalgia", com Portinho;  " Paixão de um homem"; "Dama de vermelho", de Ado Benati e Jeca Mineiro; "Perfume de gardênia", de Rafael Hernandez, versão de Waldick Soriano; "A carta", de Jorge Gonçalves e Júlio Pires Louzada;  "Eu também sou gente" e "Você mudou demais", com a participação de Cláudia Barroso, além de  "Eu não sou cachorro não".  O DVD também apresenta algumas outras como "A voz do povo é a voz de Deus", de Cezar Círus. A noite do  lançamento do DVD e CD do artista., em uma livraria do shopping Rio Design Leblon, no Rio de Janeiro, reuniu muitas personalidades famosas, como o senador Ciro Gomes, marido de Patrícia, o ator Tony Ramos, a cantora e atriz Preta Gil, Eva Wilma, Cissa Guimarães, Maurício Mattar e a escritora Glória Perez, entre outros. 
Ele deixou registrado na revista O Globo em 5 de agosto de 2007: "Já dei muita porrada por aí, já me meti em muita confusão, já cantei em casa de bacana e em puteiro de beira de estrada. Não me arrependo de nada que fiz nem das marcas que a vida me deixou". E abrindo a camisa, mostrou o peito com a cicatriz de três pontes de safena, completando "Só que agora eu tô querendo sossego. Nem mulher eu quero por perto". No palco, todavia, seu humor e verve de boêmio continua o mesmo, arrebatando aplausos efusivosde platéias sempre fiéis.
Faleceu em 4 de setembro de 2008, aos 75 anos, no Instituto Nacional do Cancer no Rio de Janeiro vitima de cancêr de prostata.
O historiador e pesquisador Paulo César de Araújo declarou, na ocasião, considerá-lo um gigante da música brasileira e completou: "Waldick deu voz ao sentimento do brasileiro oprimido, deserdado, humilhado. A obra dele foi desprezada pelas elites intelectuais, mas acho que será mais bem avaliada". O Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, estampou na primeira página de seu caderno B, a seguinte manchete: "O adeus à música (realmente) popular" e, no corpo da notícia de página inteira: "Da pecha de brega que o acompanhou por toda a vida, ao status cult adquirido nos últimos  anos, firmou-se como um dos mais importantes e comentados ídolos da música romântica". Em 57 anos de carreira, deixou, além de obra reconhecida popularmente, um legado de milhares de admiradores e seguidores de seu estilo. Em 2009, teve os seus sucessos "Paixão de um homem" e "Eu não sou cachorro não" regravados pelo cantor Leonardo, no CD/DVD "Esse alguém sou eu", lançado pela Universal Music.

Assista no youtube: 

Waldick Soriano Ao Vivo - Cine São Luis - 2007 HQ DVD Completo  

https://www.youtube.com/watch?v=cJkrXpxTnNY

Waldick, Sempre no Meu Coração (2009) 

https://www.youtube.com/watch?v=XnuSPkO4EkA

  Fontes:

www.dicionariompb.com.br Dicionario Cravo Albin da Musica Popular Brasileira

domingo, 14 de dezembro de 2014

Boas Vindas

Olá !
Iniciei o projeto do blog em 2008, não sei porque simplesmente o encostei e hoje enquanto estava de bobeira em casa, lembrei-me dele. E pronto: decidi levar a sério dessa vez e para ser fiel ao meus princípios irei blogar o mesmo texto que havia colocado em 2008:
Falar sobre Musica Popular Brasileira não é tarefa fácil. Nosso país é continental, entrecortado por muitos ritmos e gêneros musicais diferentes. Caetano não é da Bahia, Milton Nascimento não é de Minas, Fagner não é do Ceará, Luiz Gonzaga não é de Pernambuco, Elba Ramalho não é da Paraíba, Zeca Baleiro não é do Maranhão, Maria Rita não é de São Paulo, Vanessa da Mata não é do Mato Grosso, são músicos do Brasil, são músicos do Mundo e isso enche nosso coração de alegria.
Belchior, Fagner, Djavan, Vander Lee, Maria Rita, Céu, Vanessa da Mata, Elza Soares, Beto Guedes, Chico Buarque, Zeca Baleiro, Paulinho da Viola, Daúde, Luciana Melo, Jair Rodrigues, Waldick Soriano, Lenine, Zeca Pagodinho, Elimar Santos, Paulo Moura, Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Leni Andrade, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Lamartine Babo, Jamelão, Cartola, Rita Lee, Renato Russo, Maria Bethania, Silvio Brito, Tonico e Tinoco, Roberto Carlos, Emilio Santiago, Dona Ivone Lara, Martinho da Vila, Martinalia, Adriana Calcanhoto,  Bia Bedran, Joyce, Bebel Gilberto, Tetê Spindola, Nubia Lafayete, Gonzaguinha.... nossa música é a melhor do mundo !!!! Vamos falar muito de MPB durante todo esse ano e nos divertir muito ouvindo o que há de melhor.
Sabemos como tudo começou: Modinha, Chiquinha Gonzaga, Lamartine Babo... Isso não será citado aqui. Não entraremos em detalhes sobre o inicio da Bossa Nova, Copacabana X Ipanema, daquela tarde em que Vinicius convidou Toquinho para tocar "la fora", de Roberto Menescal no Carnegie Hall, Tropicalismo, Festivais, não... eu pelo menos não, os que quiserem podem (e devem) postar seus comentários, enviar seus textos, mostrar o quanto gostam da MPB. Neste espaço iremos mostrar um pouco da vida de alguns dos maiores cantores e grupos que o Brasil sempre vai guardar na lembrança.
Seja Bem vindo !